O objetivo maior do PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – é trabalhar pela emancipação, individual e coletiva, mediante práticas solidárias e autogestionárias que contribuam para a criação de um modo de desenvolvimento alternativo, centrado na vida.
Para nós, a matéria-prima do desenvolvimento são os potenciais – material, mental e espiritual – existentes nas pessoas, povos e nações. O desenvolvimento consiste em nutrir e fazer vir à tona, gradualmente, os potenciais por meio de ambientes propícios e do fomento de relações e práticas coerentes com seus objetivos. Trata-se, primordialmente, do desenvolvimento humano, econômico, cultural e social.
No modelo de globalização capitalista, o desenvolvimento centra-se na ideia de que o crescimento econômico é ilimitado e sinônimo de mais empregos, bem-estar e felicidade para toda a humanidade. No entanto, a história tem comprovado que esta noção é ilusória. Este tipo de crescimento econômico, na verdade, tem sido fator de destruição do meio ambiente e motivo de frustração para a população trabalhadora.
Os desenvolvimentos econômico e tecnológico são meios para tornar possível o desenvolvimento em sua totalidade. O desenvolvimento que valoriza a vida só pode ocorrer em um movimento que vai da pessoa para a coletividade, das comunidades locais para as nacionais e continentais, das nações para o mundo.
Trata-se do desenvolvimento humano integral, do desenvolvimento a serviço do ser humano, aumentando a qualidade de vida e a felicidade. Nesta perspectiva, o Pacs associa duas esferas, o local e o global, não apenas no plano conceitual, mas também nos planos das políticas e das práticas.
As dimensões local/nacional-internacional por si só já estão interligadas, ainda que o atual sistema insista em separá-las. O Pacs tem enfatizado a “potencialização” dessas dimensões nos trabalhos que vem desenvolvendo. Trabalha com a identificação dos riscos e ameaças, bem como de oportunidades e possibilidades, entendendo que esses fazem parte do campo de intervenção. O desafio para as sociedades de modo geral, e para aqueles que mais sofrem com as consequências do modelo vigente de desenvolvimento, está em resistir e se opor às injustiças e às opressões, mas, sobretudo em encontrar formas concretas de superá-las. De fato não são poucas as maneiras visíveis e invisíveis que a população tem encontrado para resistir.